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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Não Vá ao Teatro...

...Mas Antes Pergunte-se o Porquê

Em agosto do ano passado participei de um debate no seminário intitulado "A Nova Dramaturgia Gaúcha Contemporânea" a convite de seu idealizador, P. R. Berton (também autor e diretor, agora radicado nos EUA), para as comemorações do aniversário de 40 anos do Teatro de Arena. Nos três dias de debates estiveram presentes dramaturgos em atividade no RS, como Hermes Bernardes Jr., Felipe Vieira, Claudio Benevenga, Artur José Pinto, Luis Francisco Wasilewski, Marcio Silveira, entre outros, e juntos falamos sobre a situação atual da nossa profissão.

Na época fiz uma piada que me pareceu um tanto quanto mordaz, mas que hoje penso ser apropriada para lançar-nos a uma discussão importante: existe mesmo uma dramaturgia gaúcha contemporânea? A resposta é afirmativa. Existe pouca, é verdade, mas existe. Temos grandes autores na história do nosso teatro: Qorpo Santo, Vera Karam, Carlos Carvalho e Caio Fernando Abreu são de grande importância para a dramaturgia brasileira; Ivo Bender continua escrevendo e recentemente lançou uma nova peça. Mas quem são os representantes da safra de jovens dramaturgos do nosso Estado?

A carência de novos autores ocorre em todas as regiões do Brasil, mas nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, devido à produção teatral diversificada e aos núcleos de formação, essa falta é menos acentuada. Porém, se considerarmos apenas o teatro feito aqui em Porto Alegre, constataremos a supremacia de peças de autores estrangeiros que são traduzidas e encenadas nos nossos palcos, enquanto muitos dramaturgos brasileiros ainda têm suas obras ignoradas, mesmo aquelas que obtiveram algum destaque. Não estou propondo uma retaliação aos textos estrangeiros (seria ingenuidade sugerir tal absurdo!). Obviamente a qualidade é o nivelador dessa predileção dos encenadores e dos grupos e, independentemente da origem, me refiro nestas linhas apenas à dramaturgia que mereça tal definição. Mas, ainda evitando a ingenuidade, sabemos que a excelência e constância de qualquer produção artística tem a ver com uma política de investimento no aparato cultural e, nesse aspecto, ainda ficamos bem atrás de outros países. O que quero dizer é que me parece que em alguns casos o atrativo do "além-mar" norteia a nossa cena teatral. Questiono se o desconhecimento da maioria dos artistas quanto aos nossos autores é mera desatenção ou se é efetivamente um hábito. Se for o que penso, esse hábito passará por uma transformação, pois nos últimos anos surgiram diversos concursos e incentivos para a criação de textos dramáticos de qualidade. Pode levar algum tempo ainda e requerer certa dose de paciência. De nossa parte, resta abrirmos os olhos e os ouvidos para as obras que estão surgindo.

Além dos dramaturgos referidos no primeiro parágrafo deste artigo, posso citar aqui uma pequena lista daqueles que de alguma forma estão produzindo obras interessantes para uma atualização da dramaturgia gaúcha: Felipe Vieira (IntenCidade I - Voar), Carina Sehn (Código de Barras), Paulo Scott (Crucial Dois Um), Mary Farias e Paulo Gleich (os dois últimos ainda inéditos nos palcos). Em comum todos buscam uma expansão das possibilidades narrativas até aqui experimentadas. Além da preocupação com a forma e — principalmente — o discurso, esses autores partem de referências contemporâneas para abordar temas atuais, buscando o diálogo com espectadores que possivelmente não se sentem identificadas com a maior parte dos conflitos e personagens representados no palco.

Essa nova safra de dramaturgos do RS tem o desafio que é o de não apenas renovar uma tradição do texto teatral (mesmo porque isso freqüentemente acaba na mera pretensão), mas principalmente o de falar a um público desacostumado à linguagem dos palcos, despertando novos significados em novas platéias. E é importante ressaltar que o fato de escrever pensando numa determinada audiência não deve ser considerado como concessão artística (muitos dos grandes escritores usaram esse faro para a criação das suas mais importantes obras); a constatação de que o espectador é o interlocutor primordial para o evento teatral move a roda da dramaturgia.

Quando escrevi minha primeira peça, Andy/Edie (2006), não imaginava que esta atrairia um público tão vasto. Por mérito dos artistas envolvidos na montagem e do próprio texto, que trazia à cena personagens que hoje permeiam o imaginário contemporâneo, foi isso o que aconteceu. O tema (a necessidade abusiva de fama para suprir carências mal resolvidas) e a abordagem (diálogos sarcásticos e cruéis para falar de relações descartáveis numa sociedade de consumo voraz) foram decisivos para esta identificação. Escrevi o que quis, como quis, no isolamento do meu quarto — consciente de que este isolamento é apenas físico, nunca cultural. O reconhecimento artístico desta empreitada foi apenas uma parte da satisfação obtida: o fato de ser abordado em bares por jovens que nunca haviam pisado numa sala de espetáculos e que comentavam empolgados sobre como a peça os divertiu e comoveu foi um incentivo determinante para a criação do meu segundo texto, Parque de Diversões (2008), escrito em parceria com um amigo de longa data, o também ator e diretor Marcos Contreras.

Nesta peça seguimos o exemplo do movimento que ocorre hoje na Praça Roosevelt, em São Paulo. Os espetáculos ali apresentados visam atrair um público de 20 a 30 e poucos anos, mas que não encerram apenas nele seu campo de visão. Apostando numa dramaturgia despretensiosa, com produção independente e feitas para uma circulação imediata, as montagens se sucedem rapidamente em horários e temporadas consecutivas nos espaços que se acumulam numa única rua. O teatro produzido na Praça Roosevelt fez ressurgir o interesse dos jovens pela linguagem do drama. E isso acabou atraindo outras platéias também. Seus freqüentadores, bebendo nos bares ou em pé na calçada enquanto aguardam a sessão da peça de seu interesse, discutem sobre o que viram e fazem daquele um saudável ambiente de renovação do teatro Brasileiro. Mas isso é diferente do que podemos classificar como "teatro temático", algo que tem sido feito aos montes e que, apesar de garantir a sobrevivência de alguns poucos mambembes, em nada contribui para a formação de um público heterogêneo. Normalmente, vicia o público num único tipo de espetáculo e o afasta de outras propostas de encenação — inclusive daquelas onde o drama tenta uma libertação de seu interlocutor, caso que a dramaturgia contemporânea por vezes investiga. Me refiro a um teatro que dialogue com diferentes espectadores, oferecendo referências com as quais estes possam se relacionar, abrindo espaço à transformação.

Em Parque de Diversões criamos uma obra que nasceu com vistas a um determinado público, mas que também não o tinha como único alvo. Mesmo sendo um texto por vezes demasiado autoral, os conflitos do personagem são muito parecidos com os dramas da nossa geração. Porém, como sabemos, o conceito de geração hoje não é mais tão estanque quanto há algumas décadas, portanto tínhamos consciência de que estávamos mexendo num vespeiro bem mais complexo do que poderia aparentar. E também sabíamos que não estávamos criando uma "peça temática", pois como autores falaríamos de experiências e referências culturais que supostamente todos os espectadores reconheceriam, mas que não necessariamente teriam vivenciado da mesma maneira. E para mantermos a identificação entre personagem e platéia, nos concentramos no que de essencialmente humano tínhamos para contar. E isso, como se sabe, sempre salva qualquer obra.

Estreamos no inicio de Março, no Espaço Ox, do bar Ocidente, aqui em Porto Alegre. O resultado foi uma acirrada divisão de opiniões: houve aqueles que adoraram e voltaram outras vezes, como também houve aqueles que detestaram. Apesar disso, estou certo de que a nossa função como artistas foi cumprida. Atraímos um público ainda pouco presente nas salas de espetáculos e o confrontamos com uma proposta paradoxalmente familiar e inabitual. E como a tarefa do teatro nem sempre é agradar, mas sim provocar as pessoas para que — mesmo que de uma forma desconfortável — estas um dia reajam, posso ter esperança de que algum dos que ali estiveram presentes tenha chegado em casa e corrido pra queimar aquela sua infame camiseta com a frase "vá ao teatro... mas não me convide". A nova dramaturgia gaúcha agradece.
Diones Camargo

Fotos Pamela Ferrer
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Foto (azul) de Anderson Astor

Texto Publicado Originalmente no Blog Caco (Zero Hora. Com)

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=57991&blog=359&coldir=1&topo=3951.dwt

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Parque de Diversões

Deitado em sua cama, o protagonista – um homem que se sente anestesiado pela realidade à sua volta – comenta à platéia as circunstâncias que o levaram àquele estado de absoluta letargia. Em meio a lembranças, consumo, ironias e abuso de drogas, ele enxerga nas circunstâncias apenas desculpas para refugiar-se em seu apartamento. Sua paz (se é que existe alguma) só é rompida pelo parque de diversões que fora montado bem em frente à sua janela e que insiste em, dia após dia, invadir seu quarto com ondas de intolerável alegria. Apesar do tema, o texto é contaminado pela ironia e pelo sarcasmo, numa mistura inusitada de monólogo dramático com Stand-Up Comedy.

Clique aqui para visitar o blog da peça Parque de Diversões

Parque de Diversões (2008)

Texto e Direção: Diones Camargo e Marcos Contreras

Atuação: Marcos Contreras

Trilha: Pablo Sotomayor
Iluminação: Carina Sehn
Cenário: idéia dos autores executado por Gabriela Silva
Vídeos: Daniel Laimer
Divulgação e Ilustrações: Gabriela Silva
Material Gráfico: Eder Gusatto

Produção: Marco Mafra e Gabriela Silva

Andy / Edie

FAMA, GLAMOUR, VAIDADE, MORTE.


Nova York, 1965. O artista pop Andy Warhol conhece Edie Sedgwick, uma garota de apenas 22 anos, linda, rica, amiga de celebridades e possuidora de algo que foi definido por ele como "Glamour Elétrico". Nesta mesma época Edie mantinha uma relação conturbada com o jovem músico Bob Dylan, que não fazia questão de esconder seu desprezo por Andy e seu desagrado pela amizade entre a jovem modelo e o mestre da Pop Art.

ANDY/EDIE (2006)
*Premio Funarte de Dramaturgia 2005
*Indicado ao Prêmio Açorianos de Melhor Dramaturgia

Texto: Diones Camargo
Direção: João Ricardo

Elenco:
Sissi Venturin
Rodrigo Scalari
Lisandro Bellotto
Alexandra Dias
Michel Capeletti
Ravena Dutra
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Produção: Daniel Gabardo

Buarqueanas


Múltiplas visões do universo feminino através do encontro hipotético de algumas figuras da obra de Chico Buarque, explorando a desconstrução da narrativa, numa dramaturgia construída na interação entre música e texto dramático.
Clique Aqui para Ver Fotos do Espetáculo por Luciana Mena Barreto
Direção Cênica: Arlete Cunha
Dramaturgia: Diones Camargo
Direção Musical e Trilha Sonora: Mateus Mapa e Leonardo Boff

Elenco:
Márcia Kopczynski
Patrícia Unyl
Clarice Nejar
Cristiane Bilhalva
Ekin
Ed Lannes
Juliano Barros

Direção Geral: Patrícia Unyl
Pesquisa, Concepção e Direção Artística: Márcia Kopczynski e Patrícia Unyl

Músicos: Ed Lannes, Nicola Spolidoro e Mateus Mapa
Preparação Vocal: Cláudia Braga
Orientação Corporal: Cláudia Sachs
Cenografia: Fernando Bakos, Lisiane Rabello e os Cowbees
Instalação: Lisiane Rabello e os Cowbees
Projeto Gráfico: Fernando Bakos e Daniel Ferreira
Arte Final: Daniel Ferreira e Inês Hübner
Orientação de Figurino: Patrícia Preiss
Iluminação: Mirco Zanini
Fotografia: Luciana Mena Barreto
Divulgação: Sandra Alencar
Produção: Inês Hübner

Exposição de Bustos de Nina Eick e de fotos de Luciana Mena Barreto
Participação Especial de Maria Vai com as Outras

Financiamento: Fumproarte

Contato Produção - 9866 8571

Sobre Andy / Edie

A idéia de escrever a peça Andy/Edie surgiu no final de 2004 após a leitura da biografia de Andy Warhol. Determinado trecho havia despertado em mim um estranho interesse: as páginas relatavam o período entre os anos de 1962 e 1967, aproximadamente, época em que Warhol foi apresentado a Edie Sedgwick, uma garota de apenas 22 anos e herdeira de uma fortuna milionária. Pouco conhecida no Brasil, Edie foi (e ainda é) uma referência de moda e comportamento; de certo modo, um ícone do século XX.

Com seu trabalho já reconhecido pela crítica e pelos outros artistas de sua geração, Warhol estava cada vez mais interessado nas experiências cinematográficas que vinha realizando no seu famoso ateliê, a Fábrica Prateada. Ao conhecer Edie ele imediatamente encantou-se pelo seu "glamour elétrico" e convidou-a para participar de suas produções com a promessa - sempre indefinida - de torná-la uma estrela. Nessa mesma época Edie mantinha um relacionamento conturbado com o músico Bob Dylan. Compositor influente entre os jovens e intelectuais militantes de sua geração, Dylan era reconhecidamente avesso aos ideais dos artistas da POP ART e nutria um especial desprezo por Andy Warhol devido ao seu comportamento excêntrico e à sua visão de arte como objeto de consumo. Desde o início o jovem músico foi contra a relação de amizade entre Andy e Edie - o que provocou diversos boatos que hoje permeiam as páginas de suas biografias.


Foi em meio a esse duelo de dois grandes "devoradores de pessoas" que Edie repentinamente foi jogada no grande paradoxo dos anos 60: vivia-se num período onde tomar uma posição era obrigatório; uma questão de necessidade política. Escolher um dos lados significava dar um passo na grande marcha revolucionária que ansiava por liberdade em todos os cantos do mundo. Mas ao fechar-se numa opção apenas, talvez o indivíduo perceba mais claramente os limites do que se costuma chamar de liberdade.

Para Edie a escolha entre a amizade de Andy ou Dylan foi amplamente afetada pelos sentimentos os mais diversos e é a busca da compreensão destas motivações o que me interessa no desenvolvimento da peça (o abuso de drogas pesadas, que levaram-na a morte por overdose aos 28 anos, é certamente um elemento importante, mas não o principal). Concentrando-me na alegoria sugerida por estas figuras e situações reais, trabalhei visando a análise de três temas que a mim parecem cruciais para entendermos as necessidades criadoras para qualquer artista, em qualquer época: a estreita ligação entre a vaidade, a arte e a morte. O arte como possibilidade de superação da morte e como reflexo do ego de quem a faz. E, paralelamente, o sucesso e o reconhecimento como uma célula independente do trabalho criador, mas que pode estar perfeitamente ajustada ao outro.

Por nunca ter tido a intenção de recriar nos palcos os detalhes de uma biografia, os dados específicos do contexto político e histórico foram conscientemente ignorados no texto. Também não poderia ser muito diferente: a relação de poder e opressão a que Edie fora submetida por dois dos maiores artistas americanos do século passado nada tinha a ver com um tipo de identificação artística ou de uma consciência política sobre sua realidade. A necessidade do poder, o pueril encanto do estrelato, o desejo de ser reconhecido, amado e compreendido é o que leva a todos em Andy/Edie, sem exceção, a agir conforme seus mais duvidosos instintos de sobrevivência. Uma espécie de Reality Show (muito antes de surgir este conceito na mídia) onde o grande prêmio não é simplesmente dinheiro ou a fama, mas tudo aquilo que a cultura da celebridade promete como o ideal para todos: essa versão fantasiosa de nós mesmos que esconde nossos ferimentos mais profundos; o glamour que não cura a ferida, mas que a cobre com ouro em pó e utiliza nosso sangue como complemento plástico da beleza e do sacrifício.

Diones Camargo

Dramaturgia Líquida


Dramaturgia Líquida - Assimilação de Influências no Texto Teatral

Workshop que abordará as diversas interferências criativas presentes no processo de escrita de uma peça até a sua tranposição para a cena. Dividido em dois encontros, serão analisadas as possibilidades narrativas no teatro contemporâneo, a utilização de referências culturais na dramaturgia, o espaço do autor e a linguagem como sentido da obra.

Inscrições gratuitas mediante envio de carta de intenção (contendo nome completo, idade e profissão) para e-mail teresaeoaquario@gmail.com

19 e 20 de Novembro
das 18h30 às 21h30

Teatro de Arena - Porto Alegre

Maiores Informações: http://www.teresaeoaquario.blogspot.com/ .
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terça-feira, 22 de julho de 2008

Quando o Palco Encontra a Câmera

"Quando sabemos usar perfeitamente as mãos, os pés, o corpo, o coração, os sentimentos, a cabeça; quando chegamos a esse ponto e somos capazes de viver qualquer situação, então podemos falar de IM-PRO-VI-SA-ÇÃO. A Commedia dell’Arte é a interpretação do ator completo.”
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J.-L. Barrault, diretor teatral e ator francês

A commedia dell’Arte é certamente um dos gêneros mais remotos e populares da história do teatro mundial. Prova disso é a influência e simpatia que conquistou através dos séculos com seu estilo farsesco e gracioso. Dentre os admiradores de tal representação (que se baseava, sobretudo, num “frescor” de encenação que parecia constantemente improvisado, conduzido principalmente pelas peripécias de seus atores) havia desde pessoas da plebe até os mais altos escalões do poder, como duques e reis (Henrique III, por exemplo). A viagem do Capitão Tornado ( Il viaggio di Capitan Fracassa / Le Voyage du capitaine Fracasse, 1989) homenageia este importante gênero teatral através da divertida jornada de um barão decadente que, após hospedar em seu castelo uma trupe de comediantes, se vê obrigado a partir com eles rumo a França – o motivo é rocambolesco e só acrescenta mais sabor à aventura.

Dirigido por Ettore Scola, essa “reconstituição” da herança teatral deixada pelos comediantes dell’Arte é feita com muita imaginação e cuidado. Os cenários, os figurinos e o estilo de representação aproximam-se ao máximo – senão das próprias raízes da Commedia Dell’arte – pelo menos da fantasia inerente à atividade teatral. E o prazer do público contemporâneo ao ver uma autêntica representação da “comédia de histriões” – numa das seqüências mais engraçadas do filme, a da desastrada “transformação” do barão de Signonac em Capitão Tornado – pode certamente ser comparado ao prazer que o público da época experimentava quando uma dessas companhias aportava em sua cidade. Mas é no roteiro escrito por Scola e Furio Scarpelli (adaptado do livro homônimo do autor francês Théophile Gautier) que se encontra o verdadeiro achado do filme: mesclando os personagens da trama com seus próprios “tipos” representados no palco, mostra-nos como a personalidade de cada um é influenciada pela vida ficcional oferecida pelo seu papel (uma releitura original do batido chavão “a vida imita a arte...”). O nobre decadente que mereceria o desprezo e a zombaria do Pulcinella é por este estimulado (ainda que somente por ganância) a resgatar sua condição aristocrática e, consequentemente, devolver ao esfomeado servo sua condição de oprimido. Ou ainda as seqüências dos salteadores de beira de estrada (retirados das aventuras de capa-e-espada da dramaturgia espanhola) que irrompem nesta aventura, tornando-se parte imprescindível da narrativa (uma indicação sutil das influências de outros estilos teatrais que as companhias – e suas fábulas – assimilavam, nas suas andanças pelo continente, em conseqüência do intercâmbio com outras culturas).

Há ainda que se destacar a interpretação de todo o elenco, mas especialmente de Maximo Troise (reconhecido intérprete italiano, morto em 1995): seu Pulcinella guarda semelhanças muito evidentes com as descrições de estudiosos, assim como as observações feitas por Dario Fo na 1ª jornada do seu Manual Mínimo do Ator. Segundo Fo, o Pulcinella é uma “versão” napolitana do Arlecchino – que por sua vez descende (entre as muitas influências) do falastrão das comédias de Aristófanes. Portanto, o “corcunda branco” também é um personagem dotado do jogo ininterrupto de palavras e argumentos. Essa característica “nervosa” do discurso foi magnificamente explorada por Troise, que acrescentou sua particular sensibilidade e inteligência. Outro acerto do ator foi a composição corporal desta personagem (ainda segundo Fo: “...movendo-se como se esmagado por um saco [...] com sua cabeça encaixada entre os ombros, suas costas na qual a impera a corcova, alarga os seus braços e agita-os como asas, como se quisesse encontrar um equilíbrio e volatidade. E realmente o consegue.”); esse modo muito característico de exprimir humor com todo o corpo também é resgatado pelo ator, que oferece – para alegria do diretor e do público – um personagem astuto, manipulador, falso e hipócrita, porém delicado, verdadeiro e humano. Uma atuação à altura da bela homenagem que estes artesãos do cinema oferecem àqueles artistas que, de seu, muitas vezes, possuíam apenas uma carroça/palco, alguns figurinos e suas máscaras... além, é claro, de muito talento e paixão para com aquela atividade à qual se dedicavam.
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Diones Camargo

Quero Ser Xica da Silva

Comecemos com os fatos: Marquise é de uma chatice sem limites! Não é o pior filme da história, certamente, mas desconfio que o pior seja ao menos divertido. Este Marquise é empertigado como todo o nobre do século XVII. E como suportar uma obra que visa não apenas ilustrar uma determinada época, mas que se põe na obrigação de captar o “estilo” dela? Se fosse nas mãos de um bom diretor, a façanha seria memorável. Nas mãos frouxas de Véra Belmont o desastre é maior que o do Titanic (agora o navio, não o filme).

Ao menos esta novela das 8 estrelada por Sofie Marceau nos apresenta algumas preciosidades históricas. Por exemplo: o falecimento do grande comediante Du Parc lembra as circunstâncias da morte de Molière durante uma das representações do seu Doente Imaginário. Naquela época havia uma lei que impedia os pagãos (leia-se: quem não fosse nobre e não tivesse posses) de ser enterrado em Paris. Estes moribundos eram conduzidos a um cemitério, num vale a alguns quilômetros da capital Francesa, onde eram então acomodados. Logo no início o espectador é apresentado aos protagonistas e às linhas gerais da trama: Molière e sua trupe fazem uma apresentação nas ruas imundas da “cidade luz”. Du Parc conhece e apaixona-se pela bela dançarina Marquise, que é casada às pressas por um padre (no melhor estilo farsesco das comédias de Molière, com direito à piadinhas com o pai interesseiro da noiva, puxões de braço de um lado a outro do palco e público maltrapilho aplaudindo os recém-casados). Depois vem Racine e suas tragédias. Depois vem Luis XIV. Logo vem o sono...

Racine é grave e melancólico; Molière é amoral e excêntrico. Marquise é meiga e sensual; Du Parc é gordo e tem bom coração. As histórias se cruzam e se enredam. Sentimentos nobres conflituam-se com a força criativa dos dois gênios teatrais do período Neoclássico; uma história sobre a superação dos limites e da verdade do coração acima das aparências impostas apenas pelas palavras. Tudo muito lindo, envolto em belos cenário, figurinos e maquiagens dignos do César. Quando acordei, confesso que por alguns segundos imaginei estar acompanhando a saga de Xica da Silva (dublada do português para o francês). Infelizmente era o mesmo filme ainda.

É importante notar também que a estrutura do roteiro propõe um clima similar ao estilo neoclássico, tão em voga na França do século XVII. A alta intelectualidade da época assimilou a regra das três unidades (tempo, espaço e ação) - que Aristóteles havia postulado em sua Poética cerca de 2.000 anos antes - de forma às vezes cega e até mesmo abusiva. E o apreço que tinham por Racine e outros tragediógrafos era devido ao empenho destes em canalizar estas “fórmulas” para a estrutura de suas tragédias. No cinema é praticamente impossível manter essas regras no desenvolvimento da narrativa, mas pode-se conservar as características dramáticas da época na construção dos personagens. No caso da protagonista, parece ser uma mistura das mais altas virtudes herdada dos trágicos (sua insegurança por não ser considerada uma boa intérprete, sua propensão à “verdade” no palco, sua aflição pela morte do marido e sua profunda decepção e desespero suicida por ter perdido o papel de Andrômaca para a sua fiel camareira – atriz principiante e malvada nas horas vagas); a esta alma sofredora adiciona-se uma pitada do cômico e do mundano evocados pela farsa, e então temos uma mulher que xinga um típico ator de tragédias durante um ensaio, por considerar sua entonação muito empolada, ou ainda que oferece seu corpo a Racine, como recompensa pelo esforço deste ao escrever Andrômaca (num belo gesto de entrega total à arte; coisa que o autor de Fedra recusa, em dia com os nobres padrões de um artista puro e com valores elevados). Ah... que saudades da Xica da Silva!
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Diones Camargo

As Horas

Em 1923 a escritora inglesa Virginia Woolf (Nicole Kidman) busca inspiração para começar sua nova obra enquanto aguarda a visita de sua irmã, Nessa (Miranda Richardson). No início da década de 1950, uma dona de casa exemplar, Laura Brown (Julianne Moore), divide seu tempo entre a preparação de um bolo de aniversário para seu marido, a atenção ao seu filho e a leitura de um livro. Já em 2001, uma editora nova-iorquina, Clarissa Vaughn (Meryl Streep), prepara uma festa em homenagem a seu amigo, Richard (Ed Harris), escritor agraciado com um importante premio literário, e portador do vírus HIV. Essas três histórias distintas transcorrem durante as horas de um único dia e não teriam nada de especial, não fosse por um ponto em comum: Mrs. Dalloway. Esse é o nome do livro que Virginia começa a escrever – o mesmo que Laura está lendo anos mais tarde – e também é o apelido dado por Richard a Clarissa (inspirado na protagonista da história). Nele, Woolf fala do vazio da existência humana. Como a Clarissa Dalloway criada por ela – que durante um dia inteiro relembra fatos marcantes de seu passado enquanto aguarda os convidados para mais uma de suas festas – as protagonistas aqui também buscam enganar-se, inventando tarefas muitas vezes desnecessárias, para que isso desvie seus pensamentos da angústia de uma vida sem esperanças e perspectivas.
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Apesar de suas raízes literárias, não é necessário conhecer a obra de Virginia Woolf para entender perfeitamente a trama do filme. Adaptado do livro homônimo escrito por Michael Cunningham e ganhador do prêmio Pulitzer, o roteiro é bem estruturado e intercala as três linhas narrativas com perfeição. Existem também características próprias a cada uma delas: na de Virginia, por exemplo, o interesse recaí sobre o papel criador da escritora, suas crises e suas angústias durante a produção de sua obra, assemelhando-se às muitas cinebiografias que vemos freqüentemente. Já na segunda, Laura Brow concentra em si o suspense de uma personagem ainda indecisa sobre suas escolhas e que mantém seu segredo o mais distante possível do espectador, de forma a conduzi-lo através dos fatos, entregando-lhe, vez que outra, uma pista que possa esclarecer os objetivos da personagem. Dramaticamente isso mantém a tensão que permeia o filme. Já a história de Clarissa é – sem pretender diminuir a qualidade artística do roteiro – o drama mais comum no tipo de cinema realizado atualmente: uma personagem que não aceita sua condição inicial, por um desconforto que ela não quer perceber, e que se debate constantemente, fazendo uma “jornada” pessoal, até voltar ao ponto inicial, mas desta vez com um amadurecimento que a faz perceber algo que antes não via. Mesmo com características narrativas tão distintas, essas três histórias são conectadas pelo sentimento de inadequação à vida que permeia toda a obra. Por isso a presença da morte é tão forte no filme. Por isso, também, todos ali estão nos seus limites de autodescobertas e loucura.
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A trilha sonora, composta por Philip Glass, parece contemplar a melancolia e as incertezas dos personagens. A Direção de Stephen Daldry conduz tudo de um modo competente e sincero, sem os sentimentalismos do seu trabalho anterior, Billy Elliot. Mas é no elenco que o filme tem seu maior trunfo: Meryl Streep tem uma interpretação tão intensa e tão forte que provavelmente é a imagem dela que você levará consigo depois de terminada a sessão. Julianne Moore numa atuação sutil e comovente, reforça a ambigüidade de sua personagem. Nicole Kidman, vivendo Virginia, com nariz postiço e peruca, caprichou no sotaque britânico, na rouquidão da voz e no modo cambaleante de caminhar, mas perdeu um pouco da força dramática ao se cercar de tanta técnica. Ainda assim, foi premiada com o Oscar na categoria de melhor atriz. Ed. Harris também está brilhante. Sua interpretação é sóbria e em momento algum descamba para a caricatura ou para a pieguice.
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Embora lide com temas conturbados, As Horas sobressai-se facilmente entre as meras produções melodramáticas, pois é um filme maduro e honesto, que mantém a profundidade dos assuntos que aborda sem ser maçante, renovando o interesse do espectador a todo o momento e mantendo um ritmo que possibilita a reflexão. Nessa investigação de como os livros podem repercutir nas vidas e escolhas dos seus leitores, As Horas mostra que para viver neste mundo, seja em que época for, é necessário muita coragem. Coragem para encontrar a força e a beleza da vida. E que esta, mesmo sendo a tarefa mais difícil, é também a que mais se aproxima do que chamamos de felicidade.


Diones Camargo

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não Há Anjos na América*

Adaptação da aclamada peça homônima escrita pelo dramaturgo Tony Kushner, Angels in America aborda o sentimento de desesperança e caos na Nova York de meados dos anos 80, quando os EUA – e o mundo todo – foram surpreendidos pela disseminação de uma praga até então pouco conhecida: o vírus HIV. O veterano Mike Nichols (Quem Tem Medo de Virginia Woolf , Closer) dirigiu este premiado filme que traz no elenco atores consagrados como Meryl Streep, Al Pacino, Emma Thompson e Mary-Louise Parker para narrar a trajetória de Prior Walter, um jovem homossexual que descobre ser soropositivo. Quando este conta ao namorado que foi “marcado pelo beijo púrpura da morte” esta revelação desencadeia uma série de outras situações periféricas (a dona de casa mórmon e viciada em valium que enfim percebe o real motivo da falta de desejo sexual do seu marido; o advogado conservador e corrupto que também foi contaminado e é assombrado por antigas lembranças; um enfermeiro que espera a morte de seu paciente apenas para roubar-lhe o estoque pessoal de AZT, conseguido graças à sua influência na política). O texto expõe as angústias de vários personagens cercados por mentiras e dogmas rígidos – sejam eles de crença, política ou comportamento – que os isolam na solidão das próprias certezas, incapacitando-os de manter relações sinceras e verdadeiramente humanas. Apesar do tema apocalíptico (o esfacelamento psicológico do homem na sociedade contemporânea), ele também preserva uma faceta mais irônica, evocada por diálogos afiados e avassaladores que, sem dúvida, são ressaltados pelas interpretações fenomenais do elenco. Há também uma espécie de esperança cruel: a consciência da evolução inevitável da humanidade, que obriga-a, assim, a superar seu mais abomináveis preconceitos. Uma obra de valor ímpar, ousada e impactante, sobre temas que, infelizmente, ainda nos são atuais.

Diones Camargo

* Texto Publicado Originalmente na Revista Wake Up - Edição Fev/2006

quinta-feira, 10 de julho de 2008

...

Criar

Sobre o Autor

Sou dramaturgo e escritor. Em 2005, minha peça de estréia, Andy / Edie, foi agraciada com o Prêmio Funarte de Dramaturgia, e no ano seguinte indicada ao Prêmio Açorianos de Teatro, na categoria Melhor Dramaturgia. A montagem, levada aos palcos gaúchos pela Cia Espaço EM BRANCO, estreou em Julho de 2006 e teve sucessivas temporadas. O texto de Andy / Edie foi publicado pela editora da Fundação Nacional de Artes - Funarte e posteriormente traduzido para o inglês. 

Em 2007, o projeto da peça intitulada Elevador foi contemplado com  a Bolsa Funarte de Estímulo à Dramaturgia. Logo a seguir estreei Parque de Diversões, minha segunda peça, co-escrita e co-dirigida em parceria com Marcos Contreras. Em meados de 2008 assinei a dramaturgia do espetáculo Buarqueanas, inspirado na obra de Chico Buarque e dirigido por Arlete Cunha. Em 2009, estreou Teresa e o Aquário, montagem criada em parceria com a CIA Espaço EM BRANCO, com base no roteiro vencedor do VIII Prêmio PalcoHabitasul. A peça recebeu 4 indicações para o Prêmio Açorianos de Teatro 2010, incluindo a de Melhor Dramaturgia.

Em 2010, criei a dramaturgia do espetáculo Peru, NY, partindo novamente de um processo colaborativo entre dramaturgia, atores e diretores. Nesse mesmo ano escrevi Nove Mentiras Sobre a Verdade, monólogo vencedor do Prêmio Açorianos de Teatro 2010 na categoria Melhor Atriz e indicado na categoria Melhor DramaturgiaHotel Fuck - Num Dia Quente a Maionese Pode Te Matar, saga em 3 episódios encenada pela Santa Estação Cia de Teatro, vencedora do Prêmio Myriam Muniz 2010 (Montagem) e Prêmio Myriam Muniz 2011 (Circulação), Prêmio Braskem Em Cena 2011 na categoria Melhor Ator, e indicada a 10 Prêmios Açorianos de Teatro 2011, incluindo Melhor Espetáculo e Melhor Dramaturgia; e O MAPA_, espetáculo do grupo Teatro Geográfico, livremente inspirado no livro O Céu Que Nos Protege, também indicado a 9 Prêmios Açorianos 2011, incluindo Melhor Espetáculo e Melhor Dramaturgia; e a peça infantil Viagem ao Mundo da Eletricidade, que faz parte do projeto educacional Caravana RGE, e que desde de Junho de 2010 percorrendo cerca de 80 municípios do RS, apresentando-se gratuitamente em escolas e parques das cidades, tendo sido vista por mais de 240 mil pessoas em todo o estado; o espetáculo, que tem trilha sonora assinada pelo músico Marcelo Delacroix e coreografias de Carlota Albuquerque, foi dirigido por Adriane Mottola, co-fundadora da Cia Stravaganza. Também junto dela - e em parceria com os atores da sua companhia - colaborei na concepção da cerimônia de entrega dos Prêmios Açorianos de Teatro e Dança e Prêmio Tibicuera 2010, cujo roteiro assinei, sob direção de Mottola.

Paralelamente às atividades de escrita, participo de diversos projetos nas funções de diretor, pesquisador e educador. Ministro regularmente a oficina Dramaturgia Líquida – Assimilação de Influências no Texto Teatral e participo de palestras e mesas-redondas a respeito de dramaturgia, além de trabalhar eventualmente como consultor de peças de outros autores. Em meados de 2011 o Teatro de Arena de Porto Alegre apresentou uma leitura dramática em comemoração aos 5 anos de estreia de, Andy/Edie, com um elenco totalmente novo, formado por grandes nomes do teatro gaúcho. Em 2012, outro dos seus textos recebeu uma leitura dramática: O Tempo Sem Ponteiros foi lido na 5ª edição do Festipoa Literária, que ocorreu em Abril de 2012. Apesar de inédita nos palcos, essa mesma peça serviu também como base para criar o experimento ÓRFÃO (O Tempo Sem Ponteiros), ação performática criada em parceria com outros três mutliartistas, trabalho vencedor do Prêmio Açorianos de Artes Visuais 2012, na categoria Artista Revelação. Entre os projetos previstos para 2012 estão o Conexão em Cena – Formação, Intercâmbio e Montagem, que consiste na criação de uma peça que mistura a vida e obra de Nelson Rodrigues que será encenada por quatro grandes companhias de Porto Alegre (Santa Estação Cia. De Teatro, Teatro Sarcáustico, Grupo Falos&Stercus e Caixa de Elefante), num espetáculo criado especialmente para o Porto Alegre em Cena; uma exposição de fotos, textos e vídeos intitulada Império da Felicidade Eterna criada pelo autor em parceria com o artista visual Martin Dahlström Heuser; e uma edição em espanhol de sua peça Elevador, que será publicada em Havana (Cuba), numa coletânea que reúne alguns dos novos dramaturgos brasileiros. Além das obras acima citadas, escreveu também Peça Comercial, texto ainda inédito nos palcos. Escreve regularmente no blog normal people Bore Me

Para conhecer os meus textos sobre teatro, cinema e dramatugia, acesse o o blog

http://www.dionescamargo.wordpress.com/


Experiências Profissionais em Teatro:

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PRINCIPAIS MONTAGENS:

2010 - Hotel Fuck - Num dia quente a maionese pode te matar
2010 - O Mapa_
2010 - Nove Mentiras Sobre a Verdade
2010 - Peru, NY
2010 - Viagem Ao Mundo da Eletricidade
2009 - Teresa e o Aquário
2008 - BuarqueAnas
2007 - Parque de Diversões
2006 - Andy / Edie

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DRAMATURGIA (Principais textos):

2012 - Vestido de Nelson*
2010 - Hotel Fuck - Num dia quente a maionese pode te matar
2010 - O Mapa_
2010 - Nove Mentiras Sobre a Verdade
2010 - Peru, NY
2010 - Viagem ao Mundo da Eletricidade
2009 - Peça Comercial
2009 - O Tempo Sem Ponteiros
2008 - Teresa e o Aquário
2008 - BuarqueAnas
2008 - Elevador*
2007 - Parque de Diversões
2005 - Andy / Edie

*Textos Inéditos.

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DIREÇÃO E ATUAÇÃO:


2011 - Experimento ÓRFÃO (co-dirigido com Ian Ramil, Sofia Ferreira e Isabel Ramil)

2007 - Parque de Diversões (co-dirigido com Marcos Contreras)


2005 - Carícias (Texto: Sergi Belbel / Direção: Florência Gil)

2002 - A Ronda do Lobo - 1826 (Texto: Ivo Bender / Direção: Décio Antunes)

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TEXTOS PUBLICADOS:


2009 - Atores em Pele de Cordeiro - Blog Caco / ZeroHora.com

2009 - A imagem Escraviza? - Segundo Caderno / Zero Hora

2009 - O Papel do Ator - Segundo Caderno / Zero Hora

2008 - Não Vá Ao Teatro... Mas Antes Pergunte-se o Porquê! - Blog Caco ZeroHora.com

2007- Andy / Edie - Editora Funarte

2005 - Revista Wake UP - Cinema - Edições de Set/2005 a Fev/2006

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TEXTOS TRADUZIDOS:

2012 - Elevador (Espanhol)

2006 - Andy / Edie – Tradução: Martin Dahlström-Heuser (Inglês)

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PREMIAÇÕES:


2008 - VIII Prêmio PalcoHabitasul - Melhor Roteiro (Teresa e o Aquário)

2008 - Homenagem de Reconhecimento ao Título - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (Elevador)

2007 - Prêmio Funarte de Estímulo à Dramaturgia (Elevador)

2006 - Homenagem de Reconhecimento ao Título - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (Andy / Edie)

2005 - Prêmio Funarte de Dramaturgia 2005 - Teatro Adulto (Andy / Edie)

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INDICAÇÕES:

2011 - Prêmio Açorianos de Teatro - Melhor Dramaturgia 2011 (Hotel Fuck - Num Dia Quente a Maionese Pode te Matar)

2011 - Prêmio Açorianos de Teatro - Melhor Dramaturgia 2011 (O Mapa_)

2010 - Prêmio Açorianos de Teatro - Melhor Dramaturgia 2010 (Nove Mentiras Sobre a Verdade)

2010 - Prêmio Açorianos de Teatro - Melhor Dramaturgia 2009 (Teresa e o Aquário)

2007 - Prêmio Açorianos de Teatro - Melhor Dramaturgia 2006 (Andy / Edie)

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ATIVIDADES COMPLEMENTARES



Para mais informações sobre leituras dramáticas, palestras e debates, oficinas ministradas pelo autor,  festivais e mostras onde os espetáculos já foram apresentados, CLIQUE AQUI.


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Contatos pelo e-mail dionescamargo@yahoo.com.br ou por mensagem no campo abaixo:

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