Visitantes

terça-feira, 22 de maio de 2018

"A Mulher Arrastada" fará temporada em junho

Com ingressos esgotados duas semanas antes da sua estreia oficial no 13º Festival Palco Giratório SESC (dias 25 e 26/05, às 21h), A Mulher Arrastada – peça inédita do dramaturgo Diones Camargo escrita em 2016 e que se baseia no caso real ocorrido no Rio De Janeiro, em março de 2014 – ganhará uma temporada estendida para que o público gaúcho possa conhecer a história de Cláudia Silva Ferreira e a reconstrução trágica-cênica deste crime que chocou o país. 

Foto de divulgação: Regina Peduzzi Protskof

Mulher, negra, 38 anos, auxiliar de limpeza, mãe de 4 filhos biológicos e 4 de adotivos, Cacau – como era conhecida em sua comunidade – foi brutalmente assassinada pela PM do Rio De Janeiro ao sair de casa, no Morro da Congonha, para comprar pão para sua família. Após ser baleada, seu corpo foi atirado às pressas no camburão da viatura e arrastado ainda com vida por cerca de 350 metros em meio ao tráfego da capital carioca, sob o olhar horrorizado de motoristas e transeuntes. À execução, seguiu-se as acusações dos policiais, a omissão do nome da vítima e o tratamento impessoal dado pela mídia, o velório com o caixão fechado (para evitar a comoção pública), culminando com o esquecimento da notícia e do fato em si. 

Foto de divulgação: Regina Peduzzi Protskof

O projeto – surgido de uma parceria entre o autor da peça, a encenadora Adriane Mottola (fundadora da Cia. Stravaganza) e a atriz Celina Alcântara (cofundadora do Grupo UTA - Usina do Trabalho do Ator) – está em processo  de captação de recursos para cobrir as despesas da temporada. Para colaborar, basta acessar o link www.catarse.me/mulher_arrastada e escolher uma das recompensas a partir de R$ 10,00, incluindo, entre outros, ingressos a preços promocionais com valores menores do que os que serão cobrados no local das apresentações, na LA PhOTO Galeria e Espaço Cultural.

A arrecadação através do site de financiamento coletivo ficará disponível até o dia 14/06, às 23h59. Para compras no local, os ingressos estarão à venda nos valores de R$ 25 (meia entrada) e R$ 50 (inteira), uma hora antes de cada sessão. 


SERVIÇO 

Estreia: 25/05 e 26 17/06, sexta e sábado, às 21h, na programação do 13º Palco Giratório SESC. 

Temporada: de 02 a 17/06, sábados e domingos, às 20h. 

Onde: LA PhOTO Galeria e Espaço Cultural (Travessa da Paz, 44 - Bairro Farroupilha / Brique da Redenção - Porto Alegre | contato: 51 99963 0807) 

Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia entrada**) 

**50% de desconto para estudantes, idosos e classe artística, mediante documentos de comprovação. 

Venda de ingressos temporada: 

no local ou pelo link www.catarse.me/mulher_arrastada Classificação etária: 14 anos 

Duração: 55 min.


FICHA TÉCNICA 

Texto: Diones Camargo 

Direção: Adriane Mottola 

Elenco: Celina Alcântara e Pedro Nambuco 

Cenografia: Zoé Degani 

Iluminação: Ricardo Vivian 

Trilha Sonora Original: Felipe Zancanaro 

Vídeos: Isabel Ramil Fotografia: Regina Peduzzi Protskof 

Fotos de Divulgação: Regina Peduzzi Protskof

Assessoria de Imprensa: Lauro Ramalho

Produção: Diones Camargo, Regina Peduzzi Protskof e Isabel Ramil 

Realização: Diones Camargo e LA PhOTO Galeria e Espaço Cultural

Apoio: Cia. Stravaganza 

Foto de divulgação: Regina Peduzzi Protskof

sábado, 21 de abril de 2018

Grupo de Estudos em Dramaturgia - SELECIONADOS




Em junho de 2015, estimulado pelo processo compartilhado no coletivo 6 Dramaturgos (do qual fiz parte de 2014 a 2016, e que era formado por autores de seis estados brasileiros – RJ, SP, MG, PR, SC e RS), dei início a um projeto que há tempos vinha planejando: a criação de um núcleo de dramaturgia formado por jovens autores gaúchos ou residentes no RS. Durante alguns meses, os dez dramaturgos/dramaturgistas convidados para a primeira turma e eu realizamos uma série de encontros que, entre outras atividades, buscava expor um pouco do processo de cada participante e desenvolver uma pesquisa na área da escrita para teatro e performance – algo tradicionalmente em falta aqui no Estado. O local escolhido foi a LA PhOTO Galeria, espaço multicultural que nos últimos anos tem acolhido alguns dos meus trabalhos, assim como de outros profissionais das artes cênicas. 

Com o passar do tempo, devido a viagens e compromissos dos participantes e meus também, alguns membros se desvincularam. Assim, decidimos abrir cinco vagas para novos interessados. Muitos se candidataram para esta primeira seleção, mas outros tantos não viram a chamada pública no Facebook e lamentaram por isso. Por este motivo, na semana passada convocamos uma nova seleção disponibilizando outras cinco vagas. Havia um critério primordial para a candidatura: ter escrito ao menos uma peça que tenha sido encenada ou que esteja em processo de montagem. 

Superando até mesmo nossas expectativas mais otimistas, dezenas de pessoas se candidataram. Porém, como em qualquer seleção, muitos acabaram ficando de fora – mais da metade do total contemplado. E por ser este um projeto independente que conta apenas com o apoio institucional da LA PhOTO Galeria e Espaço Cultural, nossa vontade de incluir todos os interessados não pôde, no momento, ser concretizada. Mas a partir de agora – com a participação dos novos membros – tentaremos expandir essa limitação, promovendo nos próximos meses encontros, debates, oficinas e eventos abertos ao público.

No fim, isso tudo confirmou algo que há mais de uma década eu venho argumentando: faltam cursos e núcleos de formação em escrita dramática, tanto fora quanto dentro da academia, que acolham a crescente demanda do público interessado em estudar e se aprofundar na escrita para ser levada à cena. Assim, não chega a surpreender que muitos dos selecionados para integrarem nosso grupo nesta nova fase sejam, além de dramaturgos atuantes na cena gaúcha, também professores de universidades estaduais e federais, e faculdades privadas. Acreditamos que com essas escolhas, e com a diversidade que ela representa, poderemos fazer avançar não apenas as trocas e descobertas nessa área, como também promover o que de melhor se tem criado na dramaturgia local.  



Obrigado a todos que submeteram suas candidaturas. Abaixo, os nomes dos 10 selecionados: 


Primeira Chamada 

Cíntia Ferrer 
Diego Ferreira 
Marcelo Ádams 
Patricia Unyl 
Suzana Gomez Pohia 


Segunda Chamada 

Airton Tomazzoni 
Camila Bauer 
Carlos Ramiro Fensterseifer 
Eduardo Kraemer 
Jorge Rein 


Suplentes (por ordem de chamada*) 

1 - Pedro Bertoldi 
2 - Thiago Silva 
3 - Jessica Barbosa 
4 - Evelyn Ligocki
2 - Elisa Lucas

*Mediante desistência de participantes.


Em breve entraremos em contato com os novos integrantes para informar a respeito do próximo encontro do coletivo.

Até lá!



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Carta de Amir Haddad sobre "A Mulher Arrastada"

Ano passado eu escrevi uma peça – mais uma; outra. Era um texto sobre a Cláudia Silva Ferreira – mulher, pobre, negra, moradora do morro no RJ, brutalmente assassinada em março de 2014. A peça aborda o sequestro simbólico do seu nome e o gradual apagamento tanto da voz quanto da imagem da “Cacau” na imprensa brasileira. Foi um processo muito doloroso pesquisar e escrever sobre isso. Porém, após entregue, o material não foi aceito no projeto original para o qual havia sido escrito.

Depois de um tempo com o texto “engavetado” resolvi mostrá-lo a algumas pessoas. Ainda no ano passado encaminhei a um grupo daqui de Porto Alegre, mas não teve grande repercussão. Então na metade desse ano decidi incorporar o Nelson Rodrigues em início de carreira e passei a enviá-lo a diversos amigos que trabalham com teatro ou outras áreas artísticas apenas para saber suas reações e ouvir o que eles achavam da obra enquanto ela ainda é apenas palavras dispostas em um certo número de páginas. E os comentários começaram a chegar, mas desta vez entusiasmados. E no meio disso tudo veio também um convite para encenar a peça (mas só no final deste post você vai ficar sabendo quem irá dirigir...).

Durante o Porto Alegre Em Cena, mês passado, eu imprimi algumas cópias e, na maior cara de pau, saí falando da peça e as distribuindo a várias pessoas  algumas das quais nunca tinha visto antes, mas que estavam participando do festival. E eis que recebo a primeira carta-resposta. E ela vem de ninguém menos que Amir Haddad, um dos cofundadores do Teatro Oficina, diretor do “Antígona”, com Andrea Beltrão (apresentado aqui durante o Em Cena deste ano), e um dos grandes encenadores brasileiros, com uma carreira teatral que compreende mais de 60 anos de atividade (pra vocês terem uma ideia, eu assisti a uma peça do Amir em 1996 – uma montagem de "O Mercador de Veneza”, de Shakespeare, com Pedro Paulo Rangel e Maria Padilha no elenco).

Na carta, a qual ele gentilmente autorizou divulgar e que está reproduzida abaixo, Haddad fala sobre o que sentiu ao ler A Mulher Arrastada, se referindo à peça como “pós-teatro”, alcunha que ele criou e que norteia seu trabalho, e sobre o qual declarou recentemente:

“Basta um segundo de teatro no pós-teatro para estragar tudo”.




Outra de suas declarações que, penso, cabe ao texto e ao projeto que estamos começando, seria esta: 

“É preciso fazer nascer políticas imediatas de salvação da cidadania, de recuperação e restauração do afeto, da alma popular e essas coisas que só o Teatro pode fazer”.

No fim da carta, há também uma declaração de Amir (uma dessas formalidades que quem recebe texto toda hora pra ler se vê obrigado a fazer) deixando claro que ele não tem intenção de encenar a minha peça. Não era necessário, pois – conforme havia lhe dito na nossa rápida conversa – quem vai encenar a 1ª montagem deste texto é a nossa querida Adriane Mottola, diretora da Cia. Stravaganza, e quem vai dar voz a tragédia de Cláudia é a maravilhosa Celina Alcântara.

E pra quem ficou curioso, em breve divulgaremos mais informações sobre o projeto da montagem.

EVOÉ!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

"Parque de Diversões" ganha mais um prêmio

Depois de levar o Prêmio Açorianos de Teatro 2016 de Melhor Dramaturgia, em dezembro passado, Parque de Diversões acaba de receber mais um troféu: desta vez o de Melhor Ator para Marcos Contreras no Prêmio Braskem Em Cena 2017, mostra oficial do Porto Alegre Em Cena - Festival Internacional de Artes Cênicas que reúne anualmente 10 espetáculos do RS escolhidos pelo júri.  


Marcos Contreras (que além de coautor é codiretor e protagonista da peça) já havia sido indicado no ano passado ao Prêmio Açorianos de Teatro na mesma categoria de Melhor Ator. Com o reconhecimento do último domingo (24/09), ele se junta à lista de atores que angariaram prêmios de interpretação por atuações em peças de minha autoria, tais como Vanise Carneiro (vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz 2010 por outro monólogo, o 9 Mentiras Sobre a Verdade), Denis Gosh (vencedor do Prêmio Braskem Em Cena 2011 pela trilogia Hotel Fuck - Num Dia Quente a Maionese Pode Te Matar) e Gabriela Greco (vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz Coadjuvante 2012, por Os Plagiários - Uma Adulteração Ficcional Sobre Nelson Rodrigues). 

Crédito da foto: Regina Peduzzi Protskof

Outra boa notícia compartilhada conosco após a premiação foi a de que  segundo fontes oficiais do próprio Porto Alegre Em Cena e do Prêmio Braskem Em Cena  Parque de Diversões chegou muito perto de levar o Prêmio de Melhor Espetáculo pelo Júri Popular, tendo recebido a segunda melhor nota do público do festival, ficando logo atrás do grande vencedor da categoria, Iluminus, espetáculo de dança da New School Dreams.

Nós, da esquipe de Parque de Diversões, esperamos que em breve o público tenha outras oportunidades para conferir este trabalho que nós gostamos tanto de fazer e ao qual nos dedicamos desde 2008, bem como assistir à performance brilhante de Marcos Contreras. 

Obrigado, Contreras, pela parceria e por fazer do nosso Parque o "tour de force" que ele é!  


domingo, 24 de setembro de 2017

Crítica "Parque de Diversões" por Renato Mendonça

Montanha-russa de emoções 

Renato Mendonça (RS), de Porto Alegre, 19/09/2017* 

Solo de Marcos Contreras concorre ao Braskem Em Cena discutindo solidão e suicídio

Marcos Contreras interpreta um anti-herói atormentado pelo som de 
uma roda-gigante. Crédito das fotos: Regina Peduzzi Protskof

Parque de Diversões tem muito de stand-up: um ator à frente de um microfone, discursando sobre sua vida, calibrando o discurso a partir das reações da plateia. Mas Parque de Diversões não tem nada de stand-up comedy. O monólogo estrelado por Marcos Contreras, escrito e dirigido por ele e por Diones Camargo, é muito mais um stand-up tragedy, viagem numa montanha-russa de emoções turbinada por barbitúricos e com final infeliz. 

O protagonista vive uma situação limite. Insone e descornado, há 34 dias segue em vigília desde que um parque de diversões instalou-se ao lado de sua casa. O principal objeto de ódio é a roda-gigante, talvez por ela materializar o humor pontuado de episódios de euforia e de depressão do personagem. São 55 minutos para Contreras brilhar como o loser que compartilha com o público seu itinerário de excessos físicos – e de falta de afetos. 

A grande sacada da direção, lapidada desde que o monólogo estreou em 2008, é contrapor uma encenação sutil à atuação mais que visceral – eviscerada – de Contreras. A cama onde o personagem se mortifica está montada na vertical. Luzinhas incandescentes de quermesse se estendem sobre o público, brilhando nos raros momentos de conciliação do personagem. A sonoplastia aporta ranger da roda-gigante e risos infantis em momentos estratégicos, estabelecendo um clima de pesadelo, quase de túnel do terror. A intimidade é facilitada por o público estar acomodado em cadeiras num salão da Galeria La Photo, livre para circular durante a peça. 

Mas o insone segue firme, sorteando anfetaminas para garantir fôlego para mais uma confissão, reclamando que há dias em que as coisas teimam em nos olhar de frente. Assim ele constrói sua empatia com o público – extremado, confessional, pedindo socorro enquanto compartilha suas desventuras desamorosas. 

Vencedora do prêmio de Melhor Dramaturgia no Troféu Açorianos do ano passado, Parque de Diversões não corre o risco de se tornar apenas a crônica de um drogadito. Contreras constrói um personagem ciclotímico, por certo, derrotado desde sempre (ele adora pontuar suas narrativas com um brusco “Acabou!”), impaciente e irascível, mas que desperta empatia pelo reconhecimento de sua sinceridade desarmada, ainda que em grande parte de origem química. 

Talvez um videogame de última geração, talvez um amor sincero, talvez uma drágea branquinha com a listrinha amarela. Talvez a falência do parque de diversões que se instalou ao lado da cama dele. Talvez seja tarde demais, e é – o mundo todo cabe na tela desligada de uma TV de 80 polegadas, instalada no meio da sala do apartamento de alguém que não dorme há mais de um mês. O monólogo dá voz a todos nós, emparedados pela obrigação de girarmos e de fazer girar a máquina. Divertido, não é. Mas saímos confortados pela convicção de que não estamos sozinhos.

*Publicado originalmente no site Agora Crítica Teatral. CLIQUEI AQUI para ler a postagem original.



FICHA TÉCNICA

PARQUE DE DIVERSÕES

Texto e Direção: Diones Camargo e Marcos Contreras

Atuação: Marcos Contreras

Produção: Francisco Ribeiro

Cenografia: Alexandre Navarro Moreira

Iluminação: Thais Andrade
Figurino: O grupo

Trilha sonora original: Pablo Sotomayor

Vídeos do espetáculo: Daniel Laimer

Fotos de cena: Regina Peduzzi Protskof

Participação especial: Elisa Volpatto (em vídeos de Daniel Laimer)

Apoio: Galeria La Photo

Duração: 55min

Recomendação etária: 12 anos

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...