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quinta-feira, 30 de junho de 2016

9 Mentiras Sobre a Verdade se despede da Espanha

Depois de três finais de semana em cartaz nas cidades de Barcelona e Valência, 9 Mentiras Sobre a Verdade encerrou, no último domingo, a sua temporada na Espanha. Falada em Português e Espanhol, a peça recebeu elogios entusiasmados do publico, principalmente para a atuação premiada da atriz Vanise Carneiro, vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz, em 2010. 




Mas não foi somente o trabalho artístico que chamou atenção dos espectadores: o posicionamento da equipe sobre a situação política do Brasil também recebeu aplausos. Ao fim de cada apresentação, a equipe aproveitou a passagem pelo país para denunciar o Golpe de Estado do qual o Brasil é refém no momento  uma situação atípica em que um governo interino assumiu a presidência da República e, em pouco mais de dois meses, mudou radicalmente o plano de governo da chapa eleita democraticamente, trazendo com isso retrocessos evidentes ao povo brasileiro.




Abaixo, o discurso escrito especialmente pelos artistas da peça para as apresentações na Europa: 
   

Obrigada pela presença de todos. 

Nós somos uma companhia brasileira, e por isso pedimos um minuto da sua atenção pra denunciar a situação atual do nosso país: 

como muitos devem saber, daqui a dois meses o Brasil sediará os jogos Olímpicos de 2016; mas o que talvez alguns não saibam é que recentemente o nosso país sofreu um Golpe de Estado, no qual nossa presidenta, a Sra. Dilma Rousseff – uma mulher honesta, reeleita democraticamente com mais de 54 milhões de votos – foi afastada. No seu lugar, tomaram o poder um bando de políticos corruptos – todos homens, brancos e com extensa lista de denúncias contra si –, entre eles o próprio presidente interino, Michel Temer. Patrocinados pelos mesmos mentores do Golpe Militar de 1964 e ajudados por juízes e parlamentares – alguns deles igualmente desonestos –, os golpistas jogaram o Brasil num fosso de instabilidade e medo, promovendo cortes de direitos sociais dos trabalhadores, das minorias e das classes com menor poder aquisitivo. 

Pedimos a vocês que, como parte da comunidade internacional, se informem sobre o que está acontecendo no nosso país e nos ajudem a denunciar essa enorme injustiça, e que o processo possa ser revertido a tempo, para que a democracia volte a prevalecer não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. 

Obrigada a todos e tenham uma boa noite.




9 Mentiras Sobre a Verdade volta a cartaz no Brasil em setembro, numa curta temporada na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre. Esperamos vocês.

E #ForaTemer! #VoltaDilma! 

9 Mentiras Sobre a Verdade se despede da Espanha

Depois de três finais de semana em cartaz nas cidades de Barcelona e Valência, 9 Mentiras Sobre a Verdade encerrou, no último domingo, a sua temporada na Espanha. Falada em Português e Espanhol, a peça recebeu elogios entusiasmados do publico, principalmente para a atuação premiada da atriz Vanise Carneiro, vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz, em 2010. 




Mas não foi somente o trabalho artístico que chamou atenção dos espectadores presentes: o posicionamento da equipe sobre a situação política do Brasil também recebeu aplausos. Ao fim de cada apresentação, a equipe aproveitou a passagem pelo país para denunciar o Golpe de Estado do qual o Brasil é refém no momento  uma situação atípica em que um governo interino assumiu a presidência da República e, em pouco mais de dois meses, mudou radicalmente o plano de governo da chapa eleita democraticamente, trazendo com isso retrocessos evidentes ao povo brasileiro.




Abaixo, o discurso escrito especialmente pelos artistas da peça para as apresentações na Europa: 
   

Obrigada pela presença de todos. 

Nós somos uma companhia brasileira, e por isso pedimos um minuto da sua atenção pra denunciar a situação atual do nosso país: 

como muitos devem saber, daqui a dois meses o Brasil sediará os jogos Olímpicos de 2016; mas o que talvez alguns não saibam é que recentemente o nosso país sofreu um Golpe de Estado, no qual nossa presidenta, a Sra. Dilma Rousseff – uma mulher honesta, reeleita democraticamente com mais de 54 milhões de votos – foi afastada. No seu lugar, tomaram o poder um bando de políticos corruptos – todos homens, brancos e com extensa lista de denúncias contra si –, entre eles o próprio presidente interino, Michel Temer. Patrocinados pelos mesmos mentores do Golpe Militar de 1964 e ajudados por juízes e parlamentares – alguns deles igualmente desonestos –, os golpistas jogaram o Brasil num fosso de instabilidade e medo, promovendo cortes de direitos sociais dos trabalhadores, das minorias e das classes com menor poder aquisitivo. 

Pedimos a vocês que, como parte da comunidade internacional, se informem sobre o que está acontecendo no nosso país e nos ajudem a denunciar essa enorme injustiça, e que o processo possa ser revertido a tempo, para que a democracia volte a prevalecer não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. 

Obrigada a todos e tenham uma boa noite.




9 Mentiras Sobre a Verdade volta a cartaz no Brasil em setembro, numa curta temporada na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre. Esperamos vocês.

E #ForaTemer! #VoltaDilma!




domingo, 19 de junho de 2016

"9 Mentiras..." encerra temporada em Barcelona

A peça 9 Mentiras Sobre a Verdade encerra hoje sua temporada em Barcelona, Espanha. Escrita em 2010, o texto – que foi indicado ao Prêmio Açorianos 2010 na categoria Melhor Dramaturgia  é falado em português e castelhano, com legendas em espanhol e catalão.




Nesses seis anos desde a estreia, 9 Mentiras Sobre a Verdade já percorreu mais de 20 cidades brasileiras, tendo participado de 8 festivais de artes cênicas e cumprido temporadas em capitais do Brasil e também do Uruguai (Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Montevidéu).


Matéria no jornal El País. CLIQUE na imagem para ler o conteúdo.

Após a última función em Barcelona, o espetáculo partirá para apresentações na cidade de Valência, onde então encerrará sua temporada na Espanha.


Foto: Teatro La Vilella

Em setembro, o espetáculo  que levou o Prêmio Açorianos 2010 na categoria Melhor Atriz  volta a cartaz em Porto Alegre numa rápida temporada entre os dias 7 e 11/09, na Sala Álvaro Moreira, no Centro Municipal de Cultura.  

   

segunda-feira, 6 de junho de 2016

"9 Mentiras Sobre a Verdade" faz temporada na Espanha


Depois de passar por diversas capitais brasileiras e pelo Uruguai, o espetáculo "9 Mentiras Sobre a Verdade" entra em cartaz nessa semana na Espanha, e permanece durante todo o mês de junho. 



9 Mentiras Sobre a Verdade continua sua trajetória de sucesso nos palcos: em pouco mais de 5 anos de estrada o espetáculo – que já foi apresentado em importantes festivais e em cerca de 20 cidades no Brasil e no exterior – segue colhendo elogios do público e boas críticas por onde passa. Agora chegou a vez do monólogo cruzar o oceano e chegar aos espectadores da Europa, em apresentações que acontecerão durante o mês de junho nas cidades de Barcelona (de 10 a 19/06, no Teatro La Vilella) e Valência (dias 25 e 26/06, no Carme Teatre), na Espanha. 





Vencedora do Prêmio Açorianos de Teatro 2010 na categoria Melhor Atriz (e indicada ao mesmo prêmio na categoria Melhor Dramaturgia), a peça foi escrita pelo dramaturgo Diones Camargo e é o segundo trabalho da Cia. Teatro Líquido, que tem como fundadores o diretor e cineasta Gilson Vargas, a atriz Vanise Carneiro (criadores reunidos novamente neste projeto) e a produtora Letícia Vieira. O espetáculo, que estreou no final de 2010, já cumpriu temporadas em algumas das principais capitais brasileiras, tais como Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, e também em Montevidéu, no Uruguai. Atualmente, o grupo está em negociação para novas datas no Brasil.   


Esta não é a primeira vez que a Cia. Teatro Líquido se apresenta na Europa: em 2014, Vanise Carneiro participou de um intercâmbio de coprodução internacional em Barcelona, através do programa de patrocínio Iberescena, a partir do qual a atriz criou o espetáculo Ela, Lugar Que Chove Dentro em parceria com grupos e artistas da Espanha, Brasil e Uruguai. Quanto ao autor, este é o quarto texto do dramaturgo brasileiro Diones Camargo a chegar ao exterior: anteriormente, duas de suas peças já haviam sido lançadas em outros países: em 2012, Teresa e o Aquário foi publicada em Portugal; no ano seguinte foi a vez de Último Andar ser lançada em Cuba, numa versão em espanhol. 


MAIS INFORMAÇÕES: 


Cia. Teatro Líquido: https://www.facebook.com/ciateatroliquido/?fref=ts


Teatro La Vilella - Barcelona: http://www.lavilella.com/events/9-mentiras-sobre-la-verdad/

Carme Teatre - Valência: http://www.carmeteatre.com/contacto 


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O FEIO: quando Eu é um Outro

por Diones Camargo* 




(texto publicado originalmente no programa da peça, por ocasião do projeto de circulação 2014) 


Existe um célebre texto do dramaturgo norte-americano John Guare no qual, lá pelas tantas, durante um jantar, a protagonista lança aos convidados (e, por extensão, a si mesma) a seguinte questão: “Como conservamos uma experiência?”. É uma pergunta existencial, é claro, e faz todo sentido dentro daquela narrativa, mas para mim – em parte por causa do meu ofício – ela volta constantemente como um impasse insolúvel: como narrar uma experiência relevante sem diminuí-la a uma simples anedota? É o que me ocorre agora quando penso sobre o que escrever a respeito dessa premiada montagem de O Feio, levada aos palcos pela Ato Cia. Cênica. 

Na noite em que a assisti pela primeira vez, acomodado na plateia de um teatro qualquer, eu – observador acostumado às casualidades exaustivamente ensaiadas da cena – me via preparado a analisar a peça de um ponto de vista racional, discursivo e até mesmo distanciado, já que o seu autor é um alemão verborrágico que esteve em cartaz no Brasil pelo menos meia dúzia de vezes. Porém, nunca imaginei que lá pelas tantas minha vontade seria a de levantar da poltrona, caminhar até o palco e – tomado pela “segunda natureza” da qual o grande Marlon Brando falou certa vez – começar a improvisar e a jogar com os atores em cena. Esse, para mim, é o principal mérito desse trabalho que alcança agora, através do Prêmio Myriam Muniz de Circulação, novos públicos em capitais tão diversas como Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. 


Com direção de Mirah Laline, O Feio foi um dos destaques de 2012 


Dirigido brilhantemente pela jovem encenadora Mirah Laline, O Feio (Der Hässliche, no original) é desses espetáculos que te capturam logo nas primeiras cenas e te arrastam por uma corrente de sensações vertiginosas que não podem ser traduzidas somente através das palavras, pois apesar de ser uma adaptação fiel da peça homônima escrita pelo dramaturgo Marius Von Mayenburg, a direção concentra sua força não nas peripécias descritas nas páginas, mas no potencial de encenação que o texto desperta – potencial esse que é cuidadosamente aproveitado em marcações exatas, milimetricamente executadas, como um bisturi comandado por um robô. Aliás, o caráter neotecnicista é um leitmotiv que percorre a montagem e a ordena de modo frio e equilibrado tal qual um programa de computador. Seja na metáfora presente na trama e destacada pelos diálogos mordazes, seja na atmosfera da cena expandida até seu limite através de recursos audiovisuais – tais como projeções que exploram o grotesco da situação (estranhamente verossímil, por sinal), a atordoante trilha composta por uma mistura de Metal Industrial e sonoridades de circuitos em pane, ou as referências às artes visuais e performáticas que ganham a cena em cores berrantes e linhas pontilhadas que demarcam o espaço – podendo ser tanto o espaço objetivo do tablado, quanto o simbólico do corpo dilacerado pela navalha –, enfim, tudo se encaixa harmoniosamente, como num procedimento cirúrgico bem-sucedido. Um dentre tantos presentes no nosso admirável mundo novo. 




Mas apesar de todas essas qualidades, é o elenco afiado e extremamente bem conduzido que nos permite simpatizar com personagens tão ambíguos e, através dele, sentir o peso da angústia que os dilacera. Apoiada no jogo intenso entre os seus intérpretes, a peça ganha contornos de alucinação cada vez que novos desdobramentos são despejados no tabuleiro, obrigando-os a reordenar o que já está quase se tonando cotidiano pra nós. Através das ironias e dos sentidos ocultos das palavras somos levados a experimentar a lógica insana, cruel e massacrante que conduz o protagonista desde sua total falta de carisma à sua irremediável perdição (perdição essa que, ironicamente, é menos dele do que a tal falta com a qual iniciou sua jornada – pois a feiura, ao menos, lhe era inerente e, por isso mesmo, única). Através de uma fisicalidade precisa e estudada, os atores parecem estar o tempo inteiro sendo sugados pela espiral de acontecimentos da qual nós, espectadores, partilhamos e para a qual somos arrastados também. E assim como Lette, o tragicômico anti-herói da narrativa, somos libertados apenas quando, enfim, aceitamos que não há mais saída. E é aí que reside o terror dessa sombria comédia do nosso tempo: tal qual um enorme espelho forjado através dos séculos e que hoje chega até nós por meio da cultura de exploração de ícones reproduzidos pela massa, o que vemos em cena é a experiência da luta de uma civilização que não somente já dá sinais de cansaço, mas, principalmente, de desespero coletivo. 


Apoiada em atuações intensas, a peça ganha contornos de alucinação


No fim, saímos do teatro com a certeza de que se o Ego nos diz que podemos ser tudo o que desejamos, bastando equilibrar com aquilo que os outros desejam de nós, a vaidade – este reflexo distorcido de Narciso –, por outro lado, nos põe contra nós mesmos e nos obriga a matar aquilo que temos de mais autêntico: as nossas paixões. Quaisquer que sejam elas, estamos fadados a perdê-las em prol de uma máquina social que vê no indivíduo – suas contradições e maravilhas – não uma possibilidade revolucionária, mas um mal que deve ser combatido em prol da coletividade, da ordem e do ainda tão alardeado progresso a qualquer custo. 


* Diones Camargo é dramaturgo e escritor. Graduado em Teatro pela UFRGS, é autor das peças Andy/Edie, Parque de Diversões, Último Andar, 9 Mentiras Sobre a Verdade, Teresa e o Aquário, Hotel Fuck, Os Plagiários - uma adulteração ficcional sobre Nelson Rodrigues e O Tempo Sem Ponteiros; roteirista do longa-metragem A Colmeia e co-roteirista do curta-metragem O Último Dia Antes de Zanzibar.




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