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terça-feira, 30 de março de 2010

Prêmios Açorianos e Tibicuera 2010





Cerimônia dos Prêmios Açorianos e Tibicuera 2010


30 de Março - 20h


Teatro Renascença


Entrada Franca


Concepção: Adriane Mottola, Sofia Salvatori e Diones Camargo
Cenografia e Vídeos: Bruno Gularte Barreto
Roteiro: Diones Camargo
Figurinos: Rô Cortinhas
Iluminação: Cláudia de Bem
Arte Gráfica e Vídeos de Apresentação dos Indicados: Fred Messias (FR3 - design),
Direção: Adriane Mottola

Performers:

Filipe Catto
Melissa Arievo
André Paz
Tatiana da Rosa
Nikki
Diones Camargo
Rodrigo Mello
Duda Cardoso
Vanise Carneiro


Transmissão pela TV-Com no Sábado, dia 03 de Abril, às 23h.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Esnobando Teresa

No final de Janeiro foi divulgada a lista dos indicados aos Prêmios Açorianos de Teatro 2009, que serão entregues no dia 30 de Março de 2010, em cerimônia no Teatro Renascença. Teresa e o Aquário, espetáculo criado por um grupo de artistas (dentre os quais, eu) em parceria com a Cia Espaço EM BRANCO, concorre em quatro categorias, entre elas Melhor Atriz e Melhor Dramaturgia. Mas apesar de ser uma das peças gaúchas mais comentadas e elogiadas de 2009 (clique aqui para ler o que se falou a respeito na imprensa), curiosamente ela não foi indicada na categoria Melhor Espetáculo. É, Porto Alegre é mesmo uma cidade muito estranha... Melhor Atriz
Sissi Venturin (Teresa e o Aquário) Araci Esteves (Marleni) Isandria Fermiano (O Sobrado) Liane Venturella (Dentrofora) Tânia Farias (O Amargo Santo da Purificação) Melhor Dramaturgia Celso Zanini, Elisa Heidrich, Isandria Fermiano, Marina Kerber, Mirah Laline e Rodrigo Fiatt (O Sobrado) Marco Fronchetti (O Bairro) Rodrigo Monteiro (O Vendedor de Palavras) Diones Camargo e Cia. Espaço em Branco (Teresa e o Aquário) Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação) Melhor Cenografia Cia. Espaço em Branco (Teresa e o Aquário) Elcio Rossini (Marleni, O Sobrado e Dentrofora) Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação) Melhor Iluminação Acosta (O Bairro) Claudia de Bem (Dentrofora, O Sobrado e Marleni) Liliane Vieira (Teresa e o Aquário)
CLIQUE AQUI para ver a lista completa dos indicados.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Teresa e o Aquário em Recife

Foto: Pedro Karam
Teresa e o Aquário foi selecionado para o 16º Janeiro de Grandes Espetáculos, festival que ocorre anulamente em Recife, Pernambuco. As apresentações serão nos dias 13 e 14 de Janeiro, às 19, no Teatro Marco Camarotti - Sesc de Santo Amaro. Para mais informações e programação completa do festival, clique no link abaixo: http://www.janeirodegrandesespetaculos.com/prog_rec_10.html



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Atores em Pele de Cordeiro


Hans-Thies Lehmann, na sua Bíblia sobre o teatro contemporâneo intitulada Teatro Pós-Dramático (talvez uma obra ainda muito recente pra ser chamada exatamente de Bíblia, mas que já tem inúmeros fiéis que a seguem como tal) cita constantemente os quatro cavaleiros do apocalipse da cena contemporânea: Heiner Müller, Bob Wilson, Elfried Jelinek e Nekrosius. Fosse o livro de Lehmann o jogo dos seis graus de separação, ao menos três destes nomes se conectariam instantaneamente depois deste Quartett.

Choderlos de Laclos compôs seu romance epistolar As Relações Perigosas valendo-se das figuras de nobres franceses para mostrar que a combinação entre conforto material e tédio profundo pode causar infortúnios múltiplos – especialmente àqueles que nada têm a ver com isso – numa crítica à falência moral do período em que viveu. Já Heiner Müller dividiu os cenários de sua peça entre um salão da aristocracia pré-Revolução Francesa e um bunker pós-Terceira Guerra Mundial, reafirmando a permanência destes males. Apesar disso, a dramaturgia de Müller – em que pese sua sempre pertinente atualização dos mitos, arquétipos e fatos históricos, e sua incrível capacidade de sintetizar o pensamento de uma obra ao transpô-la para as gerações atuais – tem, em Quartett, talvez o seu trabalho mais restrito e óbvio em termos imagéticos e metafóricos. Laclos, utilizando uma linguagem rebuscada (comum à época), ainda consegue ser mais cruel e infinitamente mais terrível do que o dramaturgo alemão.

E é aqui que reside o principal mérito da montagem de Wilson: Quartett, como era de se esperar, é uma ópera de extremo apuro visual, uma máquina cênica precisa. O fascinante acúmulo de texturas sonoras expande o efeito puramente verborrágico e poético do texto de Müller (às vezes repetindo-o à exaustão), dissolvendo-o até torná-lo mero contraponto aos gestos e às imagens que aparecem no palco. Porém, é importante questionar se o que é alardeado por Lehmann nos seus escritos (que a primazia do texto acorrenta o espectador somente numa possibilidade da cena) também não acontece aqui, pelo seu oposto: uma visualidade sedutora, deliciosa e tecnicamente perfeita, porém igualmente escravizante. (voltando ao Nekrosius, o Fausto que ele dirigiu era bem mais impactante ao utilizar variações de texturas visuais e sonoras igualmente belas, baseando-se principalmente na inventividade que estas ofereciam à cena, o que tornava a conexão entres todos os elementos muito mais eficiente).

Apesar disso, não há como não ficar embevecido com as variações constantes de elementos e cores na cena arquitetada por Wilson. Os corpos que projetam signos instigantes e se distorcem (afastando qualquer possibilidade da representação tradicional baseada meramente em personagens) e as vozes que se animalizam. Aliás, esta escolha por transformar os atores em feras (tigres, répteis, lobos, cães, etc) intensifica ainda mais as figuras diabólicas de Isabelle Huppert e Ariel García Valdés que, desde os figurinos, passando pela maquiagem, mas principalmente nas atuações formidáveis, condensam em si a carga demoníaca dos personagens que “interpretam”. Esses símbolos do horror, colocados lado a lado a um deleite visual constante, nos obriga a lembrarmos de que se trata de uma luta entre o bem e o mal, onde os limites entre um e outro são confundidos o tempo todo – num jogo de ambiguidades complexas, como convém quando se analisa esses conceitos extremos. Algo como um aviso permanente de que existe sempre um Valmont e uma Merteuil à espreita para devorar suas caças, que são não apenas os outros personagens, mas também eles próprios. Esta é, evidentemente, uma reafirmação da estrutura dramatúrgica utilizada por Müller no texto, que por sua vez é baseada na constatação ferina de Laclos de que qualquer desvio de caráter é facilmente esquecido quando vemos à nossa frente uma bela arcada dentária e um vistoso aparelho de chá. E isso, quer Laclos, quer Müller tenham denunciado – e Wilson se deliciado como ninguém –, nunca muda. Vive La Révolution!

Clique no link abaixo para ler o trecho do texto publicado no Segundo Caderno do jornal Zero Hora: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2665546.xml&template=3898.dwt&edition=13200&section=999

Clique aqui para ler a versão completa no blog Caco ZH

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Papel do Ator

por Diones Camargo*

“Vocês querem falar de amor e de sofrimento aqui em cima? Aqui em cima isso não vale nada, porque aqui tudo é mentira! O verdadeiro sofrimento está lá fora, nas ruas”. Foi com esta chicotada que a atriz Paula Zúñiga encerrou o espetáculo Neva, na noite do último Sábado, sob a respiração suspensa de um público que até bem pouco vinha se divertindo exatamente com esta característica irreal do teatro, e também com a capacidade intrínseca aos atores em transitar de um estado emocional ao outro sem necessariamente sentirem coisa alguma em suas vidas.

Escrito e dirigido por Guillermo Calderón – e interpretado por um trio de atores extraordinários – a dramaturgia impressiona por juntar fatos históricos, materiais colhidos em improvisações e trechos da obra do dramaturgo Anton Tchekhov. Neva é de radical coerência em sua proposta: numa caixa montada sobre o palco estão um tapete vermelho, uma cadeira e uma simples estufa – que, aliás, é todo o equipamento de iluminação da peça e que, conforme é movida no palco, possibilita uma vasta quantidade de informações visuais. Além disso, cenas lembram imagens de peças e fotos do período.

Mas somente quando os uivos da revolução invadem a cena é que vemos os dois tipos de sofrimento – o do teatro e o dos miseráveis – se distinguirem. Em determinado momento, Olga Knipper, atriz e viúva de Tchekov, afirma não lembrar o que sentiu quando o escritor morreu. Eles então encenam a morte do dramaturgo, numa espécie de psicodrama que, ao invés de ajudá-la a resgatar os sentimentos recalcados, a atira num prazer egoico por reviver uma situação de alto conteúdo emocional, porém irreal. E é neste jogo entre expressar sentimentos complexos e ser incapaz de sentir algo verdadeiro com a realidade à sua volta que faz de Neva uma obra que questiona não apenas o papel do artista na sociedade, mas principalmente o papel da compaixão humana na obra do próprio artista.

*Texto publicado originalmente no Segundo Caderno do jornal Zero Hora:
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